Desconstruções, sentidos e verdades.

As coisas às vezes perdem o sentido, nos tornamos aos poucos impermeáveis, ressequidos e obsoletos. Toda espera é ilusória, toda espera paralisa. O que fazer quando universo de fora e tão diferente do dentro, quando nossas antigas convicções nos parecem ridículas e ultrapassadas, quando antigos costumes já não nos divertem mais. Como no se perder no infinito mar de pensamentos, como não sentir o gosto amargo da desconstrução dos sentidos, como decidir entre o certo e o errado, se não existe certo e errado, nada é o que parece, tudo é a mesma coisa interpretada de formas diferentes, por mentes diferentes e interesses diferentes. Que fazer quando perdemos a paciência, quando nos tornamos estranhos na multidão, quando desacreditamos por completo naqueles que deveríamos confiar, quando o mundo está em guerra, prestes a explodir. Quando percebemos nossos defeitos de forma consciente e aberta e o nosso castelo de ilusões ameaça desabar no mínimo sinal de vento?

Desconstruir é não ter convicções, é perder o medo de ficar embaixo de antigas construções já desgastadas, sair e olhar do lado de fora, enquanto tudo desaba lentamente; lembranças, ilusões, promessas, certezas. Tudo passa, tudo muda, tudo se transforma.

Um dia na nossa vida, percebemos que, viver é um risco constante de desabamento, que o medo impede o nascimento do novo, percebemos que é preciso sair de cena e olhar de outra perspectiva.

Algo novo esta nascendo e para que assim seja, a dores da desconstrução não devem ser evitadas, o medo do novo, precisa ser encarado, o cansaço vindo dos entulhos da sobrecarga que carregamos, precisam ser retirados. Quando tudo parece ser ilusão, nos sentimos diferentes, desencaixados, como se falta-se algo, como se fosse inútil remar contra a corrente, pensar diferente, sentir o que quase ninguém sente. Na verdade, não somos diferentes, somos todos iguais, apenas, temos percepções diferentes, graus diferentes de uma coisa só, o que nos falta, sempre fara falta, por que nada é completo. Somos eternas construções, estamos sempre construindo e desconstruindo nossa inacabada obra.

Sentimos dor por que nossas buscas aparentemente inúteis para o mundo, são essenciais para nos. Sentimos dor por que a busca daqueles que amamos de tão uteis para o mundo são vazias para nos. Mesmo que inconscientemente, tentamos nos encaixar e ai vem a dor. A dor de se sentir diferente, a dor de não achar graça nas mesmas coisas, a dor de quem sente que às coisas não fazem sentido.

Algo novo quer nascer e não importa se ninguém mais pode ver o mundo desabando dentro. Somos todos iguais em essência, embora nos sintamos diferentes em nossas percepções. Não posso mudar o que o outro vê, posso apenas ser eu, sem tentar me encaixar, sem corromper meus ideais para agradar ninguém.

Tem vezes na vida que precisamos ouvir o que às pessoas não dizem, ouvir as entrelinhas… usar a imaginação para ver beleza onde não há nada… de dizer palavras sem sentido que façam revoluções internas em mentes fechadas e cheias de convicções absurdas. Com o tempo nos tornamos egoístas e percebemos que é melhor criar pequenos universos utópicos do que acreditar que existe uma realidade pronta. Quando temos nosso próprio universo interno reconhecido e nossas desconstruções aceitas e vivenciadas, podemos de alguma forma desconstruir velhas construções que nos cercam e, não nos permitem ver com clareza a amplitude do horizonte.

Ninguém pode mudar ninguém, não existem certos ou errados, despertos ou adormecidos. Estamos todos dormindo para uma realidade maior.

Poucas são as pessoas que questionam suas reais importâncias dentro do contexto do tempo. A maioria segue a vida firme em propósitos impostos pela sociedade, que por vezes, lhe custam a própria vida, vendem seu tempo e se esquecem que nada levarão, mesmo assim, seguem sem questionar o alto preço do pertencer.

Ser o que somos é única condição possível. Não posso contribuir com o mundo a minha volta, se não sei ao menos quem sou. Se ainda desconheço por completo o meu mundo interior, sendo assim, serei apenas uma marionete das expectativas alheias. Apesar de parecer por vezes incrédula do mundo, entendo que o significado vem de dentro e se projeta para fora, portanto, não penso que a vida não tem sentido, pelo contrário, penso que somos responsáveis pelos sentidos que damos a vida, como artistas pintando quadros com nunces únicas, somos responsáveis pela nossa vida, pela vida que temos, assumir essa responsabilidade sem falsos intermediários pode ser difícil, no entanto, é essencial. Tudo tem um sentido, a impressão contraria é falsa. O sentido esta na alma, mesmo assim, às vezes, é inevitável e ate saudável sentir que não há[…]

Como dizia Nietzsche; A verdadeira questão é: quanta verdade consigo suportar?

(eu agregaria, suportar, sem perder o sentido, um sentido aparentemente invisível aos olhos, um sentido único para cada ser…)

 

NCOS7200

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Certas coisas

Com o tempo aprendi que existem coisas na vida, que não podemos explicar, que não precisamos possuir nenhuma verdade, estar certos sempre, nem mesmo concordar com ninguém, somos livres para discordar, dar um passo atrás e viver nossos próprios sonhos, trilhar nosso próprio caminho, tão único é singular, que dificilmente se encaixa dentro dos conceitos pre-determinados de uma sociedade cada vez mais confusa.

Somos diversidades, os nossos pensamentos atuais não nos definem, tudo muda. Aprendi a ser leve é aceitar a imensidão do mundo com humildade, com discernimento, com contemplação, sem querer me apropriar de nada, nem de ninguém.

Aprendi que Deus está em tudo, naquilo que chamamos de bem e também, no que chamamos de mal. No entanto, é mais fácil ver Deus na simplicidade. Eu o vi, varias vezes por aí… vi ele; no jardineiro José que cortava a grama da minha mãe com alegria e dedicação, o vi também, no pescador que jogava sua tarrafa no mar sem grandes pretensões, talvez apenas a pretensão de pegar um peixe maior para o almoço, enquanto devolvia os pequenos para o mar. A alegria de pescar era maior que o resultado da pesca, me lembro que ele disse; que o mar era sua vida, ele falava do quanto era bom ver o sol nascer enquanto estava no mar. Certas coisas, não tem preço…

Eu vi Deus nas crianças brincando nas pracinhas sem pretensão nenhuma de nada a não ser brincar. Existe algo melhor do que brincar despretensiosamente? Eu o vi; no meu cachorro um dia quando acordei de manha e, ele estava dormindo de barriga para cima, enquanto podia ouvir o som magnético de Haydn no rádio ao fundo, enquanto lá fora, o céu amanhecia seus raios de sol incandescentes e mágicos, que só podem ver os que acordam cedo para presenciar o espetáculo da vida. Eu o vi nos mendigos da esquina, sem pressa para nada, sem querer nada, apenas vivendo o momento, rindo a toa, compartilhando alimentos. Eles, não pareciam tão inquietos como a maioria de nós.

Quando vi todas essas coisas, quando olhei ao meu redor e vi tanta gente, correndo e correndo, sabe-se lá atrás do que, estressados, agoniados, cansados, cegos, sem parar, sem pensar, sem questionar. Percebi que Deus esta na diversidade, percebi que não precisamos observar os mendigos, as crianças, os pescadores nem os jardineiros, para ver Deus, precisamos apenas ser simples, ser simples e enxergar que não existe apenas um lado, uma verdade, um caminho. Existe uma entrega, uma entrega ao caminho, ao caminho de cada um. Percebi que aqueles que não pretendem nos convencer de nada é que realmente nos ensinam algo. Percebi que são meus olhos que filtram a beleza subversiva e tantas vezes esquecida. Percebi que a única verdade que quero manifestar é a verdade da poesia, da simplicidade, da inspiração. O resto, é apenas o resto, meu olhar passivo e, ao mesmo tempo, reativo é minha única condição, e todas as verdades alheias, uma abstração, real apenas, para quem as vivência, mesmo que limitadamente. Verdades prontas não encontram razão no meu ser, inquieto, incrédulo e controverso. O estado de poesia é minha razão, o estado de poesia é minha única religião, e o Deus que vejo, é tudo o que vejo.

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Prêmio The Versatile Blog AWARD.

 

sem-nomePrêmio The Versatile Blog AWARD.

“O Versatile Blogger Award é uma iniciativa para que blogueiros destaquem o trabalho de outros blogueiros, se ajudando mutuamente, afinal é disso que a blogosfera se alimenta: compartilhamento.”

 

Regras:
Agradecer a pessoa/blog que a/o indicou
Incluir o link do blog que indicou o seu blog para o prêmio.

Selecionar e indicar outros 10 blogs para participar:

E escrever 10 factos sobre si a pessoa que a indicou para o the Versatile Blog Award. Ao participar deste concurso deve usar o meu logo acima “coroa azul e rosa no iniciou da postagem.

A minha indicação para o prêmio, concurso the Versatile Blog Award veio do Blog: https://chronosfer2.wordpress.com/, O Chronosfer é um espaço de inspiração em todos os sentidos, um olhar poético e indispensável, que mediante fotos, musicas e pensamentos expande horizontes e encurta distâncias. Um olhar profundo que não deixa escapar a beleza em todos os sentidos, das belezas perceptíveis e monumentais até aquelas que, na correria diária tantas vezes, deixamos de ver e sentir. Para saber  mais do Chronos basta clicar no link acima.

10 Fatos sobre mim:

1 – Não gosto de definições.

2 – Profissionalmente falando, sou quase arquiteta, falta pouco.

3 – Amo poesia, amo escrever, escrevo por puro prazer, escrevo para saber quem sou e colocar para fora o que não cabe dentro.

4 – Gosto de pessoas simples, silenciosas e eloquentes, aquelas que não possuem verdades absolutas e não tentam adestrar ninguém.

5 – Amo estar em contato com a natureza, meu espirito é selvagem, me sinto em paz contemplando-a.

6 – Gosto de velhos casarões, das suas historias. Do olhar poético e da força contida na imaginação.

7 – Gosto de pensar na imensidão do universo. Na verdade, gosto de pensar em tudo o que vejo, ouço e sinto. Refletir é minha forma de meditar.

8 – Fernando Pessoa é Walt Whitman são  meus poetas preferidos.

9 – Gosto de Arquitetura e Urbanismo com conteúdo, capaz de criar ambiências e sentidos em todos os espaços. Uma arquitetura de escala humana e diversidades, que contribui e alimenta o imaginário das cidades exposto na vida cotidiana.

10 – Acredito em um sentido maior para tudo o que vejo. Não acredito em verdades absolutas, embora acredite em um absoluto sem definição. Gosto de questionar e filosofar. Sou ciente de que nada sei, mas, gosto de pensar no mistério da vida com humildade e contemplação.

Minhas indicações de blogs são:

https://chronosfer2.wordpress.com/

https://flaviosiqueira.wordpress.com/

https://guilhermeangra.wordpress.com/

https://opoderdaleituracom.wordpress.com

https://mochileirodopensamento.blog

https://espaciodeimagenesypalabras.wordpress.com/

http://cinegnose.blogspot.com.br/

https://deiseaur.blogspot.com.br/

http://www.errado.net/blog/

https://blogdopatrimonio.wordpress.com/

 

 

 

como uma brisa

Eu sei,
que a lua hoje é cheia
que pensamentos incendeiam,
que palavras são confusas
distantes e imperfeitas.
 
Eu sei,
que você sabe o que sinto,
mesmo com todas as incertezas
e embora às vezes, se esqueça,
sei que sabe, sem precisar dizer.
 
Eu sei,
que o tempo não para
que distância atrapalha
que a torre desaba,
que tudo o que eu sentia
se transformou.
 
Eu sei,
que somos metamorfoses,
simbioses, pô estelar.
sujeitos errantes,
de horizontes distantes
em corpos finitos
de alma estelar.
 
Eu sei,
que nas manhas cinzas,
o sol que se esconde,
ainda está lá.
 
Eu sei, que nada sei
e por saber,
posso; ousar, querer, dizer
ou simplesmente,
calar.
 
Tudo o que sei é água
na imensidão do mar
tudo o que somos e brisa,
uma brisa, de amar.
 
Jesica Natalia.
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A busca

Ninguém ama para chegar a lugar algum. Apenas despertamos dias após dia e continuamos a amar. Ninguém se alimenta para chegar a um ponto final, o alimento se renova a cada dia. Novamente a comida, novamente a necessidade de encontrar, que se revela na necessidade de buscar. No se trata de buscar para encontrar, mas, de buscar pelo valor mesmo da busca.
— Na busca, a gente se encontra.

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Certezas incertas

Tanto crentes, como ateus, tem certeza de algo. As certezas, impossibilitam o movimento, estagnam, corroem, e com o tempo se desfazem… Poucos são aqueles que reavaliam o valor das suas certezas, percebendo sua finitude humana, limitada e instável. Que custo tem gerado para a humanidade sustentar verdades absolutas e totalitárias ao longo da história? O universo com todos seus mistérios é um espaço muito amplo e complexo para tentar discerni-lo na sua totalidade. Incertezas assustam e nos desafiam a questionar, preferimos profetizar nossas certezas incertas; do que aceitar que pouco ou nada sabemos…

Talvez esteja na hora de reavaliar nossas certezas e viver em paz com a imensidão do incognoscível, sem a pretensão das convicções, apenas, contemplando o misterioso milagre da vida em todas suas formas, conteúdos e também, vazios…

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