amor sagrado

voçe faz amor com as palavras
enquanto me toca em silêncio.
tenho dúvidas sobre o que pensa ser o amor
eu também não sei,
porem, creio que nunca lhe digo de fato
o quanto me parece sagrada a arte de amar.
atravesso minhas nostalgias,
suspendo minhas ideologias
altero lentamente meus horizontes incertos,
até rebelar no fim
de forma drástica e dramática
o que nem mesmo entendo;
aquilo que vim lhe dizer,
sobre a alquimia da alma,
sobre o áureo florescer.
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O silêncio dos bons

censura
Martin Luther King dizia; Que o que importava realmente não era o grito dos maus, e sim, o silêncio dos bons”.
 
Provavelmente você já escutou essa frase em algum lugar, e apesar de tao obvia nos parece algo distante do que praticamos. É inacreditável que apesar de sentir o peso dessa ideia, todos continuamos dormindo, continuamos afogados nas nossas próprias e pequenas vaidades, enquanto dragões avarentos nos consomem e consomem nossa energia, nossa paz, nossa liberdade, nosso sangue e suor, instaurando medo e divisão.
 
Não encontro palavras para descrever a gravidade do que sinto, não sei nem por onde começar, mas preciso começar, é o meu dever é o dever de todos os que desejam um mundo mais justo. Para tal, encontro em alguns grandes pensadores (palavras) que me motivam a não me calar, por mais insignificante que meu posicionamento seja, tudo nasce pequeno e um dia se torna grande. Somos semeadores do amanha.
 
Platão dizia que; ”O castigo dos bons que não fazem política é serem governados pelos maus.
 
Os problemas que vivemos, não vem apenas da corrupção, da violência ou de desições mal tomadas de antigos governos (Os problemas que vivemos nascem também, de forma evidente, por nossa atitude contemplativa e de conformismo com as desigualdades alheias, pela nossa corrupção e barganha diária, pela nossa crítica alheia, de quem não se enxerga a si mesmo e coloca a culpa de tudo no outro.)
 
O mundo em que vivemos é um eterno foda-se os outros. Não vejo nada de era do amor, ou de aquário, lamentavelmente. Vejo interesses, vejo vaidades, vejo selfies vendendo falsas felicidades e palavras espiritualmente vazias de egos inflados. Também no sou diferente. Porém, sinto de alguma forma que não é o suficiente, que estou disconforme em ser mais uma anestesiada, uma conformada, alguém que só olha para si mesma, sinto tudo aquilo que minha alma não quer calar.
 
Sinto mesmo sem nunca ter vivido a tortura, a fome, a desolação e a completa falta de oportunidades, sinto sem ter perdido um filho por viver num regime ditatorial, autoritário e desumano, como os nossos pais e avos viveram. Sinto mesmo escrevendo confortavelmente atrás de um computador. Sinto o peso da responsabilidade que todos temos com nosso mundo, com nossos irmãos, com a paz, com respeito com o amor.
 
Não quero um retrocesso da condição humana.
 
Nasci na Argentina, um pais que foi praticamente destruído pela ditadura, humanamente, economicamente e de todas as formas possíveis em que violência nos toca. Me assusta a violência, me assusta ver meus irmãos, os mesmos que falam de amor, serem escravos do ódio. Terem os ouvidos tampados e os olhos cegos para Injustiça alheia.
 
Somos a única mudança possível, a única esperança tangível. Precisamos despertar da hipnose da repetição subliminar e exposta pela mídia marginal, e pensar por conta própria o mundo que queremos deixar para os nossos filhos.
 
Nesse momento, talvez não exista uma política ideal, um candidato ideal, um ser humano perfeito. A perfeição é uma grande utopia.
 
O que existe agora é uma escolha, uma escolha que pode mudar o rumo da liberdade que ainda temos. A escolha de tentar seguir pelo caminho da paz, ou adentrar no escuro arcabouço da guerra que se instaura lentamente, através do medo. Medo do comunismo, medo do fascismo, medo de falar, medos que não são nossos, medos que existem para nos manipular. Um medo tão letal de perder, algo que nem mesmo sabemos o que é, um medo que faz matar inclusive, apenas por egoismo, por avareza, por falta de amor.
 
A única mudança possível, vem de uma atitude CONSCIENTE, PACIFICADA E ATIVA. Calados somos omissos, inúteis na construção de um mundo melhor.
 
Por isso, me posiciono politicamente, não com bandeiras ou hashtags no meu perfil, mas com esse textão que poucos leram, sei, más que é minha pequena parcela de envolvimento e preocupação com mundo que estamos construindo. Repito, não existe um ideal ao qual me rendo, conheço bem as falhas humanas, sou humana também, e por ser humana, apoio a igualdade, a liberdade, a educação e a Paz, preceitos básicos para a evolução da nossa espécie.
 
Se você pensa que 13 anos do (PT) destruíram o Brasil, o que fizeram os 500 anos em que somos dominados e colonizados pela elite. Não seja ingenuo, os donos do poder estão acima dos fantoches. Ninguém fara nada por você, as coisas não vão mudar para melhor através do ódio, talvez para alguns, não para a maioria. Não seja tão raso e egoísta, como todo respeito, não seja mais um iludido.
 
Por pensar nessa maioria, os meus irmãos, meu apoio e para o governo do Haddad e seus projetos, que ao meu humilde entender são os únicos passiveis de oportunidades e justiça social, são os únicos que promovem a paz nesse momento tão tenso e violento. Penso que nada é maior que paz, a liberdade e o amor.
 
Enfim, cada um com sua consciência e com um pouco de memória, que tire suas própria conclusões e se coloque, para não ser arrastado e anestesiado pelo vírus da acomodação e do desinteresse do mundo que o cerca.
 
Cada um, que faça sua parte.
 
Obrigada,
 
Jesica Natalia.

Cronica do estrangeiro

Pedro era um daqueles que chamam a atenção pela tentativa de ser discreto. Tentava de tal forma não aparecer, que quase sempre acabava sendo mais percebido ainda pela multidão que tanto evitava, as vezes era forçado a falar e a interagir, como se pessoa normal ele fosse, fato este, que criava nele uma certa tensão, que o fazia falar mais ainda, somente para que ninguém notasse seu amargo sentimento de estranheza.

— Não era uma pessoa normal, não se sentia igual mesmo que se esforçasse; se sentia como um estrangeiro em terras distantes. Seus poucos chegados eram sujeitos ainda mais esquisitos do que ele era para os outros. Os seus poucos ‘chegados’, eram aqueles com os quais podia ser ele mesmo, sem se preocupar. Gostava de ficar a vontade, e sempre fugia de tudo aquilo que o aprisionava, por essa razão; Pedro também fugia desesperadamente do amor -que diga-se de passagem, não sabia ao certo seu significado. Mesmo assim ele intuía toda sua força e sua intensa sacralidade, sabia que poderia ficar cego por causa dele, sabia que poderia perder a pouca lucidez que lhe restava num mundo de ilusões.

Pedro amava profundamente a natureza e a amava, por que sentia nela; o amor no seu estado mais puro. O amor que se doa, sem necessitar da reciprocidade. Pedro se alimentava da energia do sol para realizar sua fotossíntese, da energia do sol, das poesias pela metade e de algumas muitas ilusões. Ilusões de amor.

Pedro, durante muito tempo se sentiu mal pela sua condição esquisita de ver o mundo e a si mesmo, Pedro se sentia sozinho na multidão, se sentia vazio, por que nada podia preencher a imensidão que carregava no seu peito -Até que um dia qualquer de um entardecer de outono, Pedro olho pela janela do segundo andar do velho prédio da Avenida da lagoa e viu pessoas apressadas, e viu; correrias desnecessárias e viu na simplicidade de uma tarde de outono, tudo o que no via no dia a dia do seu cotidiano. Foi quando ele se sentiu tranquilo por não ser nada, por não ser ninguém, por passar desapercebido, enquanto lia Dostoiévski, bebendo uma taça de vinho, ouvindo tocar ao fundo; ”Tango de Évora” enquanto pensativo e contemplativo se deleitava sozinho…

-Não há pecado nem dádivas em amar a solidão, Pedro apenas fazia o que realmente queria e isso não causava mal a ninguém, há no ser em alguns breves momentos. Mesmo assim, quando percebeu-se na multidão andando contra a corrente, finalmente, sozinho no seu quarto, se sentiu feliz por poder ir tão longe apenas com seus pensamentos, pensamentos estes, que somente ele poderia entender. Tinha finalmente descoberto a sua força contida, percebido que na mente tudo vale, tudo é, tudo nasce é morre. Assim como tudo aquilo que nos liberta, também pode nos prender, assim é a mente.  Esta é a lei dos análogos, está é uma ideia que Pedro conhecia bem.

Era fim de tarde. Pedro estava só com seus pensamentos, sentiu que não cabia dentro do seu quarto e saiu para respirar um pouco de ar fresco na tarde morna daquele dia de outono, onde todas as ideias profundas nasceram e morrerão num mesmo dia, numa mesma tarde, num mesmo corpo, e já não cabiam mais no seu quarto e já -O ultrapassavam ferozmente.

 

 

Luz-e-sombra

Profanos

divino é te sentir.
profano,
é não saber o que fazer com esse sentimento,
andar distante,
ofegante,
se chão, sem ar…
feito sujeito errante.
sentindo dor.
uma dor humana,
uma dor de amor.
profano é dormir hoje
longe dos seus braços,
do seu calor, do seu laço,
do seu suor…
profano é o amor!
o amor proibido,
o amor sagrado
o amor sem sentido.
 que vale mais que todas as certezas.
— que vira tudo do avesso,
que é selvagem
incomum e inédito.
e por ser selvagem;
liberta!
não prende…
não pede!
-tudo aceita.
liberta de todas as certezas…
das certezas absolutas que acorrentam,
que acomodam,
que são sempre incompletas!
(…)um amor,
que arde e queima.
que é fogo… e como o fogo,
tudo incendeia.

realidades metafóricas.

 

— sou tão real;
como uma metáfora.
minha alma cansada,
reclama sua fé sequestrada,
sua falta de uma razão.

estamos sós.

neste corpo,
que veste a alma,
sou como um estranho,
um estrangeiro.
à terra que piso, se abre,
se afunda, se nega.
o horizonte que procurava,
perdeu-se no infinito.

tudo o que procuro
é uma procura
pelo desconhecido,
que no fundo, conheço bem.
uma procura;
pelo que sou,e não admito,
por tudo que tento esquecer
e me oprime a alma.

no horizonte de dentro
há uma subversiva realidade,
real apenas para mim…
ninguém mais pode saber
o que eu mesma não sei.

uma rosa se desfaz no vento
se transforma;
como tudo o que ontem era
e hoje, não é mais,
suas pétalas voam para longe.

— Somente eu posso ver.

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Outras estações…

(…) Dado que em mim, agora, não existem outras estações, mesmo sonhando primaveras, a relva que cresce agora dentro do meu peito é seca, invernal e me sufoca. Estou confusa.

— As flores dos sonhos tem espinhos, eles perfuram, oprimem, uma razão já toda desfeita, toda vencida pela força selvagem e instintiva que a envolve.

Como num trem desgovernado em direção ao interior de uma caverna escura e profunda. Um trem que passa pelo frio branco de um inverno profundo, um trem que não conhecê seu destino embora o caminho lhe pareça familiar. Um trem que desvia do curso normal e pensa poder assumir as consequências, um trem inconsequente. Um trem que tem medo, de não conseguir parar a tempo.

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Nunca diga o que pensa abertamente, mas nunca deixe de pensar.

Se quiser ser aceito pela maioria, nunca diga o que pensa abertamente e para qualquer um, nunca fale dos seus ideais, das suas ideologias, suas lutas e descobertas, elas podem ser fundamentais para você, mas, nunca serão para o outro. O outro, tem suas propias convicções, lutas e descobertas.

A grande maioria, não gosta de discutir assuntos incómodos, assuntos que desconstroem a suas tão amadas verdades. Fazem de tudo para ignorar a existencia de outros caminhos, caminhos que abalariam suas estruturas já há tempo corroídas. Tem medo, muito medo, medo de tudo aquilo que não podem compreender.

Enquanto os jornais camuflam noticias relevantes, entre especulações banais de medo e arrogancia -Chamam isso de realidade. Quase sempre preferem o barulho, o agito, a convicção de nunca se sentirem sós. A solidão os incomoda profundamente, a voz que questiona é uma terrível ameaça.

Nunca diga o que pensa, mas, nunca deixe de pensar, para poder dizer o que pensa, somente na hora certa e para quem quiser ouvir.

Nunca perca seu tempo em vão. O tempo é o seu bem mais valioso.